O perigo nos debates entre calvinistas e arminianos

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Por Carlos Roberto

Caros leitores, a mecânica da salvação, é um tema debatido há séculos dentro do contexto protestante e cristão. Em um post anterior, falamos aqui no blog sobre a unidade cristã na perspectiva teológica de Jacó Armínio.

Agora, pretendo deixar um alerta sobre os riscos desse debate, quando a ignorância, a falta de respeito, a militância e o ego exaltado são normas que precisam serem seguidas à risca para uma melhor identificação, segundo os adeptos desses conceitos errôneos e desprovidos de uma coerência bíblica e sadia.

Calvinistas e arminianos, podem ser bons amigos, mesmo discordando e debatendo teologia, mas essa simples explicação, não é seguida à risca por muitos deles. No meu feed de notícias, presencio muitas vezes, arminianos xingando, desrespeitando e até ameaçando calvinistas em longos debates. Claro, existem calvinistas que são intolerantes também. Aliás, esse texto serve para ambos.

O ponto onde exatamente eu quero chegar, é justamente o da maturidade cristã. No meu modo de pensar, a imaturidade está muito presente na vida desses irmãos. Ora, todos sabem que sou um arminiano clássico, mas isso, não me dá o direito ou a prerrogativa de ser inimigo dos calvinistas e reformados.

Até mesmo entre defensores de um mesmo posicionamento teológico, existem os intolerantes, imaturos e zombadores. Se um arminiano, se posiciona ou se identifica como de 4 pontos, é taxado por seus companheiros de liberal ou herético, e tem também os calvinistas que adoram dizer que Armínio foi pelagiano ou semi-pelagiano, se um outro calvinista mais moderado, que leu as obras de Armínio e conhece bem os conceitos básicos da teologia arminiana discorda, é taxado de bobo, ou em cima do muro.

O grande perigo, nos debates teológicos, e principalmente entre calvinistas e arminianos, é falta de amor ao próximo. Discordar, faz parte da teologia e isso está longe de terminar, mas é preciso equilíbrio, koinonia, paciência, amor e maturidade.

Por causa dessas coisas, criei tempos atrás a página Armínio Hoje no facebook, para tentar compartilhar aquilo que sei para outras pessoas e provar, que esse sentimento popular do arminianismo contemporâneo e anti-calvinista, é perigoso e doentio. A teologia arminiana, não é somente defesa e ataque, muito pelo contrário, sua gênese e prioridade é o amor de Deus revelado na pessoa de Cristo e a atuação da graça de Deus, que restaura o arbítrio humano danificado pela queda.

Uma outra página, parceira e que segue a teologia de Armínio com responsabilidade e moderação, é a página Arminianismo Sem Zueira.

Enfim, todo cristão, que estuda teologia, precisa praticar a mesma, e não pensar que é melhor do que os outros somente por causa de sua forma de interpretar a bíblia ou assuntos pertinentes ou relacionados a ela. No passado, muita gente sofreu com isso, e hoje não é diferente, mas eu e você, somos exortados a mudar isso, através de atitudes honestas, maduras e respeitosas com nossos irmãos de fé, mesmo eles sendo de outras confissões ou posicionamentos teológicos.

Deus abençoe a todos! Em um momento oportuno, retorno novamente com esse assunto no blog. Compartilhe esse post com seu amigo calvinista ou arminiano.

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Armínio e a unidade cristã

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Por Carlos Roberto

Historicamente, Jacó Armínio foi muito perseguido por seus opositores. Ele foi acusado de muitas heresias e também lhe foi atribuída muitas inverdades. O que me impressiona realmente, é seu lado pratico de sua teologia.

Armínio, prezava pelo amor ao próximo e pela união dos cristãos, apesar das diferenças. Segundo Dave Hunt, “Armínio foi um cristão consistente em seus escritos, e gentil e atencioso em seu tratamento com os outros”. [1]

Uma prova disso, vemos em sua Declaração de Sentimentos. Apesar de discordar de Gomaro e seu supralapsarianismo, Armínio soube debater a questão da predestinação sem atacar.

Jacó Armínio, é um exemplo a ser seguido por todo teólogo atual, e principalmente, os arminianos. Uma grande verdade, que eu tenho notado, é que alguns, ditos arminianos clássicos, estão longe dessa perspectiva de unidade cristã de Armínio, simplesmente pelo fato da ignorância nos debates sobre a doutrina da predestinação.

Discordar, faz parte dos assuntos teológicos, mas precisamos praticar verdadeiramente nossa teologia, assim como Armínio fez. Finalizo esse breve texto, com um trecho, tirado das Obras de Armínio. Os arminianos atuais, bem como os calvinistas, precisam refletir sobre isso:

“Que Deus permita que concordemos plenamente nas coisas que são necessárias à sua glória, e para a salvação da igreja, e que, em outras coisas, se não puder existir harmonia de opiniões, pelo menos haja harmonia de sentimentos e possamos ‘guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz’”. [2].

Fontes:

[1] HUNT, DAVE. Que amor é esse? / Dave Hunt; [Tradução Cloves Rocha dos Santos e Wilson Sales da Silva]. 1. Edição – São Paulo: Editora Reflexão 2015. Página: 127

[2] ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio. (Volume 3). [Trad. Degmar Ribas]. Rio de Janeiro, CPAD, 2015, p.276).