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A pecaminosidade humana e sua restauração a Deus

Corrente-pecado-salvação

Por Carlos Roberto

A doutrina do pecado original, é um assunto de suma importância para nós. Felizmente, o tema é de fácil entendimento e biblicamente claro e evidente no contexto da palavra de Deus. Talvez, o que pesa, são os detalhes das consequências do ato em si, na vida do ser humano e como se dá o processo de restauração através da graça. Ou seja, muitos crentes, tem dúvidas sobre esses pormenores.

Portanto, nesse artigo, irei tratar, essas duas perspectivas teológicas, a luz da bíblia e da teologia. Muitas são as passagens bíblicas que dão base para a doutrina do pecado original, mas os textos principais são Romanos 5.12-21, 1 Coríntios 15.21,22 e Efésios 2.1-3.

Mas a final de contas, o que é pecado? Qual a definição correta para compreendermos o significado dessa palavra? Bom, trago a lume algumas referências, que na minha opinião, são precisas.

Segundo o pastor Esequias Soares, a definição teológica do pecado descrito na Declaração de Fé da Assembleia de Deus é “rebelião e desobediência, incapacidade espiritual, a falta de conformidade com a vontade de Deus em estado, disposição ou conduta e a corrupção inata do homem”.

O dicionário teológico, escrito pelo pastor e teólogo pentecostal Claudionor de Andrade, caminha na mesma ideia sobre a definição da palavra pecado: transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus. Pecado significa, ainda errar o alvo estabelecido pelo Criador ao homem – viver para a glória de Deus.

Depois de definir o que pecado, abordo o quesito das consequências da pecaminosidade em si. São aqueles pormenores, que citei acima.

A depravação total

Como um ser criado à “imagem e semelhança de Deus”, o homem é um ser livre, racional, autoconsciente (imagem natural), dotado de espiritualidade e consciência e agência morais (imagem moral), e que era puro e inocente em seu estado inicial. Com a Queda, narrada em Gênesis 3, essa “imagem e semelhança” não foi destruída no ser humano, mas foi em certo sentido, danificada e, dessa forma, transmitida a todos os seus descendentes (“…à sua semelhança…”, Gn 5.3; Jó 14.4; Sl 51.5; 58.3; Jo 3.5,6 c/c Rm 8.5,8,13; At 17.26; Rm 5.12,19).

Esse entendimento, é o que a teologia chama de depravação total. Calvinistas e arminianos são parceiros nesse ponto e concordam entre si nessa questão. Vale a pena destacar, porém, que total depravação, também chamada e mais conhecida como depravação total, é o nome dado ao entendimento bíblico de que o homem, em razão do pecado, nasce em pecado e tem todas as áreas de sua vida afetada por ele. O fato desta doutrina ser chamada de depravação total faz com que muitos pensem que o homem é tão mal quanto poderia ser, e isso em razão do uso da palavra total. Mas a ideia de total é de extensão e não de intensidade, ou seja, o homem é totalmente depravado no sentido de que todo o seu ser e todas as áreas de sua vida são afetadas pelo pecado.

O teólogo holandês, Jacó Armínio, é preciso e objetivo em suas palavras, ao se referir sobre as consequências do pecado no que tange a depravação humana. “Nesse estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o que é bom não somente está ferido, aleijado, enfermo, distorcido e enfraquecido; ele também está aprisionado, destruído e perdido”.

Em seu livro, Arminianismo – A Mecânica da Salvação, o pastor Silas Daniel, explicando essas palavras de Armínio, em sua Declaração de Sentimentos, diz o seguinte: Armínio fala que o livre-arbítrio está “destruído” apenas “para o que é bom”, ele se refere ao livre arbítrio para as coisas de Deus, para uma vida de santidade. “Bom” aqui não significa qualquer ato correto, mas tudo que diz respeito às coisas espirituais.

Enfim, a imagem de Deus no ser humano foi totalmente danificada. Qualquer pessoa, sem a graça de Deus, tem sua racionalidade, entendimento, moralidade, seu ser espiritual, suas emoções, e sua capacidade de relacionar-se com Deus enfraquecidos e prejudicados. É aí que entra, a graça e o amor de Deus, pois somente esses fatores, podem restaurar a pecaminosidade do ser humano.

A restauração através da graça

Keith D. Stanglin e Thomas H. McCall, no livro Jacó Armínio – Teólogo da Graça, citando as Obras de Armínio, trazem uma explicação muito pertinente sobre a questão do arbítrio humano e a graça divina: “A livre escolha “ humana não é um fator decisivo; ao invés disso, na condição caída, a graça de Deus é “absolutamente necessária” para a pessoa desejar o bem. Armínio descreve a graça em termos gerais como a disposição de Deus de “comunicar seu próprio bem e de amar as criaturas, não por mérito ou dívida, nem que isso pudesse acrescer algo a Deus mesmo; mas para que isso possa ser benéfico para aquele a quem o bem é concedido, e que é amado.

Bom, em termos simples, eu posso afirmar e dizer, que sem uma iniciativa de Deus, não podemos agir para com a salvação e para com o evangelho. A restauração da pecaminosidade humana, não é uma coisa relacionada as obras, ou ao esforço do homem. A teologia arminiana, faz o uso do termo graça preveniente, para enfatizar isso. Esse termo, vem desde a época da patrística, e é um pensamento comum na própria história do pensamento cristão. Preveniente, ou precedente, refere a uma ação que antecede a conversão.

Mais uma vez, cito Armínio e suas obras: “O livre Arbítrio, é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer bem verdadeiro e espiritual sem a graça. […] esta graça é simplesmente e absolutamente necessária para o esclarecimento da mente, a devida ordenação dos interesses e sentimentos, e a inclinação da vontade para o que é bom. É essa graça que opera na mente, nos sentimentos e na vontade; que infunde na mente bons pensamentos; inspira bons desejos às ações e faz com que a vontade coloque em ação bons pensamentos e bons desejos. Esta graça vai antes, acompanha e segue; instiga, auxilia, opera o que queremos, e coopera para que não queiramos em vão”

A graça preveniente nada mais é, portanto, do que o amor de Deus em ação; é Deus tomando a inciativa em relação ao homem caído e não apenas no sentido de propiciar a sua salvação, mas também no sentido de habilita-lo a recebe-la e atraí-lo a ela. É ela que concede, nas palavras do pastor e escritor Silas Daniel, ao ser humano a possibilidade de corresponder livremente com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. É a graça preveniente que possibilita ao homem responder positivamente ao chamando divino.

Conclusão

Por enquanto, encerro esses assuntos aqui, mas com certeza, em futuros posts, irei escrever mais sobre esses termos e definições sobre a mecânica da salvação. Meu propósito aqui, é subsidiar aos interessados, alguns aspectos ou pormenores da próxima aula de domingo, da revista das lições bíblicas, que aborda o pecado e o processo de restauração através da graça e do evangelho. Deus abençoe a todos!

Fontes:

A Razão da Nossa Fé – Assim Cremos, Assim Vivemos, Esequias soares, 1 edição, CPAD, Rio de Janeiro, 2017.

O Que é Teologia Arminiana? Wellington Mariano, editora Reflexão.

Dicionário Teológico, Claudionor Correa de Andrade, CPAD.

Armínio, Jacó, As Obras de Armínio, CPAD, volume 1 e volume 2.

Arminianismo – A Mecânica da Salvação, Silas Daniel, CPAD.

Jacó Armínio – Teólogo da Graça, Keith D. Stanglin e Thomas H. McCall, editora Reflexão.