Arquivo da categoria: Estudos bíblicos

Uma breve reflexão sobre a epístola paulina aos Filipenses

A letra mata-

Por Carlos Roberto

Caro leitor, quando lemos a carta de Paulo escrita aos Filipenses aprendemos muitas lições importantes. Essa epístola paulina faz parte do grupo de cartas escritas pelo Apóstolo dos Gentios na prisão, juntamente com Efésios, Colossenses e Filemom.

Diferentemente, de outros escritos, não vemos uma ênfase sistemática e teológica nessa carta, pelo contrário, esta é uma das epístolas mais pessoais de Paulo, onde vemos vários momentos de sua vida, principalmente a frequência da primeira pessoa do singular.

Paulo escreveu a um grupo seleto de amigos e companheiros do Evangelho e as marcas dominantes no escrito paulino são a alegria, a gratidão e o serviço, atitudes essas extraordinárias, quando vemos o contexto no qual Paulo estava inserido (a prisão).

Ora, segundo, a cronologia bíblica, e os estudiosos dos assuntos neotestamentários essa carta foi escrita provavelmente no ano 62 D.C, das próprias mãos do Apóstolo, e, diga-se de passagem, que muitas das cartas do Apóstolo Paulo foram escritas pelos amanuenses, ou escritores contratados.

Atualmente, vivemos um caos no testemunho cristão. Muita gente em nossas igrejas, são crentes nominais, suas vidas, são apegadas ao ódio e a murmuração. Um grande contraste, com Paulo e seus cooperadores na obra missionária.

E por falar nisso, uma das lições mais importantes, que noto nesse livro bíblico, é comprometimento de um ajudante de Paulo na causa do Evangelho, e em seu ministério missionário e apostólico.

Quando lemos Filipenses 2.25.30, vemos um homem chamado Epafrodito, um nome talvez não muito comum em nosso tempo, mas que nos remete realmente ao significado de sermos humildes no serviço cristão.

Diz o texto bíblico, que Epafrodito era cooperador na obra de Deus, companheiro de Paulo em suas lutas, e auxiliar das necessidades, características essas infelizmente não vistas, em nossa contemporaneidade cristã exclusivista, que não pensa na diaconia e nem muito menos em se dedicar realmente na obra de Deus com humildade.

Homens dispostos a fazer a obra de Deus como Epafrodito, infelizmente são poucos. Mas nós como Igreja de Cristo somos exortados a desempenhar como ele um bom Serviço Cristão.

Deus abençoe a todos! Até o próximo post.

Barnabé: o exemplo do mentoreado

lideranc3a7a-mentor

Por Carlos Roberto

Venho por meio deste post, tratar um assunto muito importante. Na minha opinião, o aconselhamento cristão e pastoral, precisa de uma ênfase mais forte nos dias atuais, e por causa dessa carência cito o exemplo de Barnabé no contexto da igreja primitiva e na vida de Saulo de Tarso, que se tornou Paulo, o apóstolo dos gentios.

Quem era Barnabé? 

Barnabé era um homem muito inteligente, profundo conhecedor das Escrituras Sagradas, era um homem que gostava de ajudar as pessoas, era um homem de coragem, e muito amado pelos apóstolos, nos tempos da igreja primitiva. Ele era um homem extremamente religioso e que tinha muitas posses, um homem rico. Mas um dia ele se converteu a Cristo, e começou a se dedicar a pregação do evangelho. Ele era primo de João Marcos (o autor do segundo livro do Novo Testamento]. Na verdade, seu nome era José, mas os apóstolos o chamavam de Barnabé, que significa encorajador.

Em Atos 4.36-37, vemos as seguintes palavras de Lucas:

“Então José, a quem os apóstolos chamavam Barnabé (que significa filho de consolação), levita, natural de Chipre, possuindo um terreno, vendeu-o, trouxe o dinheiro e colocou-o aos pés dos apóstolos”.

Barnabé era um levita, um judeu, um homem muito importante e rico, mas o que me chama a atenção na vide dele são suas atitudes pós-conversão. Segundo David Edward:

“Barnabé é caracterizado não apenas como um estudioso da bíblia, mas com experiência transcultural e muito amado entre os apóstolos. Um homem de coragem contagiante (encorajador), comprometido com o Reino, desprendido das coisas materiais, generoso, confiante nos apóstolos e, com maior simplicidade, a eles submisso”.

Barnabé era um homem a frente de seu tempo! E isso contribuiu de uma forma extraordinária para a divulgação de evangelho entre os gentios e para a própria história do início da igreja primitiva.

Os exemplos de Barnabé como conselheiro e mentor

Os exemplos de mentoreado na vida de Barnabé são muitos, mas para fins de pesquisa e futuras abordagens, cito alguns episódios narrados por Lucas em Atos dos Apóstolos. No capítulo 9.26-28, vemos o momento pós-conversão de Paulo, onde ele tenta se reunir com os apóstolos em Jerusalém.

Todos tinham medo dele (Paulo) e não acreditavam em suas palavras. Vemos que ele precisava de ajuda. Como se pode ver no texto, Barnabé demonstra ser um verdadeiro conselheiro, mentor, ou uma ajuda na hora certa. Barnabé viu o que ninguém foi capaz de ver, ele viu em Paulo um homem convertido, e que dizia a verdade. Através do testemunho de Barnabé e de sua defesa em favor de Paulo, os apóstolos permitiram a entrada de Paulo na igreja e em Jerusalém para pregar o evangelho.

Após treze anos desse fato, vemos o contexto do evangelho sendo pregado em Antioquia, e uma grande demanda. Quem iria ser enviado para lá? Com uma experiência transcultural, madura e conselheira? Esse homem era Barnabé! Existia uma certa preocupação da igreja em Jerusalém por causa das conversões dos gentios, e por causa disso, Barnabé foi enviado. Para maiores informações sobre isso, leia a narrativa em Atos 11.22-26.

Para encerrar essa parte, cito o capítulo 15 do livro de Atos e o versículo 37, onde Lucas narra os planos para a segunda viagem missionária de Paulo junto com Barnabé e sua equipe. Somos informados que Barnabé aconselha Paulo que levem João Marcos, primo de Barnabé. Paulo não concorda, pois João Marcos tinha desistido da primeira viagem, e tinha abandonado eles. Paulo e Barnabé discutem sobre a questão.

Cada um segue uma rota diferente. Paulo e Silas vão para uma região, e Barnabé e João Marcos para outra. Mas, o que nos chama atenção nessa história é a firme convicção de Barnabé em não desistir do ministério de João Marcos. Marcos se tornou um grande pregador, a bíblia tem um livro que leva seu nome, o evangelho de Marcos.

Deus trabalha mesmo através dos conflitos, nem sempre concordamos com muitas coisas como cristãos. Mas os problemas são resolvidos quando aceitamos as diferenças e permitimos que Deus faça a sua vontade. Anos depois dessa história vemos Paulo reconhecendo o ministério de Marcos, em sua segunda carta escrita a Timóteo no capítulo 4.7, onde ele diz: Traga Marcos, porque ele me é útil para o ministério. Se não existisse Barnabé, no cenário bíblico, talvez não tivesse existido o ministério de Paulo, suas cartas, e o ministério de João Marcos também não existiria, nem o evangelho que leva seu nome.

Características de um mentor idôneo

David Edward, citando uma citação do século II de Clemente de Alexandria, que cita a presença de Barnabé entre os 72 discípulos enviados por Jesus em Lucas 10.1-12,16, fala as características que esse grupo tinha:

Trabalho em equipe
Visão: enxerga a colheita e a necessidade de levantar obreiros
Oração: coloca-se diante de Deus antes de iniciar o ministério
Coragem: vai a frente, sem receio, mesmo ciente de que está como ovelha entre lobos e de que haverá batalha
Fé e estilo de vida simples: não se preocupa com dinheiro, bagagem e outros recursos, mas permanece na dependência de Deus
Pessoa de paz: estende e reconhece a paz (shalom), a harmonia
Pessoa que se relaciona: estabelece-se numa casa, numa família, finca raízes. Não apenas parece boa, mas de fato é boa e íntegra
Pessoa do Reino de Deus: é submissa ao Rei e por isso tem autoridade
Discernimento: percebe que compartilha o que mesmo espírito
Humildade suficiente para receber: consegue depender de outros com graça
Capaz de lidar com conflito: Fala a verdade quando necessário e enfrenta a rejeição sem levar para o lado pessoal.

Segundo o escritor, essas constituem algumas qualidades que de fato caracterizavam Barnabé, como mentor idôneo que foi.

Conclusão

Diante de tudo que foi dito, cabe a nós refletirmos melhor sobre o aconselhamento pastoral, sobre os nossos líderes e autoridades eclesiásticas. Infelizmente, existem muitos líderes que não sabem administrar os conflitos de quem está necessitado e que precisa de uma ajuda. É um fato comprovado, que alguns “pastores” não sabem mentorear, aconselhar e nem muito menos cuidar de uma ovelha ou um membro de sua igreja, por isso, precisamos orar a Deus e acreditar no trabalho daqueles que ainda se esforçam nesse sublime ministério. Em futuras postagens, pretendo tratar outros temas específicos sobre o aconselhamento pastoral. Deus abençoe a todos, amém!

Fontes:

Bíblia Sagrada Almeida Século 21.

Paulo e sua Teologia, 2 edição, organizador: Lourenço Stelio Rega, editora Vida.

Aprendendo lições com a mentira de Ananias e Safira

death_sapphira_ananias-a-vo_thumb

Por Carlos Roberto

Caros leitores, dessa vez, vamos refletir um pouco no capítulo 5 de Atos, na parte narrativa que fala sobre a história de Ananias e Safira. Do versículo 1 ao 11, Lucas narra um exemplo do que Deus precisou fazer para despertar o temor no início da igreja primitiva. Muitas indagações e perguntas, são feitas sobre o ocorrido, mas de qualquer forma, precisamos entender que o casal recebeu uma justa retribuição como consequência de seu ato enganoso, vil e profano. Quais as implicações praticas, e quais as lições que podemos aprender hoje? Bom, na última parte desse artigo, pretendo responder, mas a princípio, podemos nos lembrar as palavras paulinas em Gálatas 6.7, “não vos enganeis: Deus não se deixa zombar. Portanto, tudo o que o homem semear, isso também colherá.

Infelizmente, vemos em nosso tempo que muitas pessoas na igreja fazem de tudo para obter o poder, o reconhecimento e o prestígio. Isso é muito perigoso! Na verdade, esse padrão de conduta é mundano e não se encaixa nos princípios bíblicos. Leia Provérbios 21.28 e 1 Timóteo 4.2. Para entendermos melhor o contexto, precisamos considerar algumas coisas.

A voluntariedade na igreja primitiva

Percebemos que naquele tempo, não existia um padrão ou uma norma para contribuições financeiras. O que realmente contavam eram a generosidade e a voluntariedade. Tudo era compartilhado em comum, ninguém se sentia que era dono de coisa alguma, pois existia o espírito do temor. Naquela época assim como hoje, existiam pessoas que contribuíam com ofertas maiores, e talvez isso tinha uma repercussão mais estendida. De qualquer forma, precisamos entender que a igreja primitiva vivia em uma crença que Jesus logo retornaria.

Um fato importante, era o respeito e a admiração que o ofertante tinha perante os crentes. Isso é uma coisa normal e natural em qualquer época, mas não era um propósito. Quem ajudava, não buscava um reconhecimento perante os apóstolos e a igreja primitiva, isso nos faz lembrar de Barnabé. Já falamos sobre ele aqui no blog.

Barnabé, era um respeitado líder na igreja, um levita de nascença, era primo de João Marcos, que escreveu o segundo livro do NT que leva o seu nome. Lucas nos conta, em Atos 4.37, que Barnabé tinha propriedades em Chipre. O mesmo vendeu e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos.

Um plano bem sórdido e bem elaborado

Possivelmente, Ananias e Safira vendo a contribuição de Barnabé ou outros crentes e o devido reconhecimento, cobiçaram com um plano sórdido e bem elaborado a honra e o prestígio. Talvez, o casal era fiel a Deus e a Cristo e tinham um bom testemunho diante da comunidade cristã, mas eles não podiam deixar passar a oportunidade de serem conhecidos publicamente entre os apóstolos e a igreja.

Verdadeiramente, o diabo encheu o coração do casal de inveja e cobiçosa honra. Assim, venderam a propriedade que eles tinham, mas retiveram parte do preço, porém estavam contribuindo como se tivessem destinado todo o valor da venda. Ou seja, o casal concordou em mentir!

Atualmente, muita gente pensa como eles da seguinte forma. Essa mentira não vai prejudicar ninguém, vamos ajudar a igreja, vamos ter prestígio, honra e reconhecimento. Eles agiam pensando que não ia dar nada. Grande engano! Pois logo vieram as consequências.

Eles mentiram para Deus

Muitos pontos são levantados sobre a mentira de Ananias e Safira. Eles blasfemaram contra o Espírito Santo? Porque Deus os executou? O pecado deles foi muito grave? Por que pessoas mentem atualmente e não morrem?

Tentarei responder esses questionamentos rapidamente e de uma forma simples. Quando Ananias depositou aos pés dos apóstolos e da igreja sua contribuição, ele estava passando uma imagem de um bom homem, o que na verdade não era. Pois estava dando a entender que ofertava o valor integral ou total da sua propriedade.

Ele não tinha nenhuma obrigatoriedade de ofertar o valor total da sua propriedade, mas precisava ser honesto. O problema não era a oferta, mas o ofertante, o problema não era o valor, mas as motivações. Não houve blasfêmia nesse caso, nem sonegação, mas uma clara mentira contra o Espírito Santo, acerca daquele fato, o qual revelou a Pedro. Precisamos como crentes em Cristo, praticar os preceitos bíblicos, isto é, servir a Deus em verdade. O casal viveu oposto disso.

A falta de temor, a mentira, o engano foram coisas repugnantes aos olhos de Deus. Ananias e Safira, ignoraram que Deus vê tudo, sabe tudo e conhece tudo. Ele é onisciente. Muita gente hoje em dia fala sobre evitar o pecado para não entristecer o Espírito Santo, mas esquecem que o pecado é uma afronta e um insulto.

A mentira e o engano, serão a causa e os fatores preponderantes, nos quais muitos crentes irão para a perdição e para o inferno. Entenda caro leitor, a verdade é uma coisa oposta a mentira, e o nosso Deus é a própria verdade.  Ananias e Safira, procuraram coisas boas pelos motivos errados. Faziam a coisa certa que era o contribuir, mas com intenções sórdidas. E Não imaginavam a gravidade de afrontar Deus e sua obra.

As consequências da mentira

Todo pecado gera consequências. É a lei da semeadura que abordamos no início. Em Atos 5. 3, Pedro diz: Ananias, por que Satanás encheu o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? Ele não estava mentindo a Pedro ou a Igreja naquele momento e isso pareceu grave. Diante de tais exortações, se Ananias caísse tonto ou desmaiado já seria um castigo horrendo e causaria temor, imagine ele caindo e expirando, por isso ninguém ousou dizer coisa alguma, apenas presenciaram com temor e calados o que acontecera.

Imagine, se um líder cristão, ou um pastor fizesse coisa semelhante hoje em dia. Talvez ele seria taxado de radical, fanático ou muito severo. Porém, o servo de Deus só amaldiçoa aquele que Deus amaldiçoa. Caso contrário, a sentença não surtiria efeito.

A esposa e cúmplice de Ananias, compactou em tudo com seu marido no plano de tentar enganar a Deus, mas ela também pagou muito caro. Por causa do temor e da gravidade do que ocorreu com seu marido, Safira talvez ficou sem saber o que aconteceu com seu marido.

Porém, quando ela se deparou Pedro, após três horas, o apóstolo a indagou da mesma forma que o marido, e com as mesmas perguntas. Diz-me, vendestes por tal quantia aquele terreno? E ela respondeu: Sim, foi por essa quantia. Ela repetiu o mesmo valor dado pelo marido e Pedro a repreendeu severamente, e assim como Ananias, Safira morreu.

Lições aprendidas

A primeira lição, é o temor que pairou sobre todos. Os crentes, ficaram atemorizados com o que ocorreu com o casal. Aqueles que não participavam da igreja, também ficaram sabendo das notícias. Ninguém comentava nada contrário, mas hoje em dia? Distante de tais fatos pelo tempo, teria Deus sido tão severo?

Temos que entender, uma coisa fundamental. A mentira, é uma violação dos princípios divinos, que em outras ocasiões, Deus pode até mostrar uma certa tolerância, mas penso eu que nesse caso em particular, o casal sabia o que estava fazendo, e com tais atitudes estariam manchando a igreja que estava em seu início e pós-nascedouro. Deus em sua soberania não tolerou e provocou a morte de Ananias e Safira para servir como exemplo a todas as gerações da igreja de Cristo.

A segunda lição, é a que não devemos agir como se Deus não nos visse. Deus é amor e graça, mas é soberano e um justo juiz. Ele é onisciente. Aqueles que usam de engano, não servem a Deus e nem podem permanecer na congregação dos justos. Nadabe e Abiú, são um exemplo claro disso.

A terceira lição, seria que não devemos pensar que podemos nos esconder de Deus. Muitas pessoas, se escondem debaixo de um falso manto de piedade, santidade e de religiosidade, querendo parecer bons aos olhos dos homens e da igreja. Muita gente faz isso, inclusive obreiros, que usam o púlpito para ensinar e pregar a palavra, mas interiormente Deus, que sonda nossos corações, os vê cheios malícia. Para Deus, não existem capas, isto é, tudo ele revela e esclarece.

Conclusão

Muitas, são as lições, que aprendemos com esse relato bíblico. A igreja contemporânea precisa ler e reler Atos capítulos 4 e 5 para compreender como eram as coisas inicialmente. Como estamos distantes daqueles tempos! O poder, o status, a vida boa, o reconhecimento e a aceitação social são as coisas que a maioria dos crentes querem. Poucos querem servir e viver uma vida de verdade e de honestidade diante de Deus e dos homens.

Podemos até esconder nossas reais intenções, assim como o casal Ananias e Safira por algum tempo, mas será que escaparemos ante olhar perscrutador de Deus, que são como chamas de fogo? Para Deus dia e noite não são a mesma coisa? Quem é que pode escapar de suas mãos? Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

Encerro por aqui, Deus abençoe a todos!

Fontes: Revista jovens e adultos, dominical, Atos dos Apóstolos – apregoando valores e testemunho que devem nortear a igreja atual. 1 trimestre de 2011, ano 21, número 78. Editora Betel.

Bíblia Sagrada – Almeida Século 21. 2 edição revista e atualizada conforme o novo acordo ortográfico. Editora Vida Nova.

Reflexões sobre o culto de Caim

293b2df400278dcb26e0b4944f52a097

Por Carlos Roberto

Gênesis capítulo 4 é um texto bastante pertinente para compreendermos as atitudes comportamentais em um culto. O objetivo do meu texto é somente trazer uma reflexão aos meus leitores sobre a oferta de Caim, que é muito semelhante a atitude formal e egocêntrica de muitos cristãos atualmente, que pensam que estão adorando a Deus, e a Cristo, mas que na verdade estão prestando um desserviço ao Reino de Deus.

O personagem Caim, que é o filho primogênito de Adão e Eva é polemizado na mente, e nos argumentos de muitos crentes desinformados, e apegados a lendas, e mitos. Sobre isso, recomendo um artigo de um blog parceiro.

Mas afinal de contas, qual o motivo de Deus não ter recebido a oferta de Caim, e ter recebido a oferta de Abel? Já adianto aos meus 31 leitores que a problemática na liturgia de Caim não estava na oferta. Pretendo fazer pelo menos 4 considerações reflexivas sobre esse assunto.

Como era a vida de Caim perante Deus?

Ora, Caim representava isso: O pensamento humano em oposição à revelação divina; a vontade humana em oposição à vontade divina; o orgulho humano em oposição à humildade que Deus requer; o ódio humano em oposição ao amor divino; a hostilidade humana em oposição à comunhão divina.

Fica bem claro para você caro leitor, os motivos de Caim ter sua oferta, culto, e liturgia rejeitados por Deus. Além disso, as palavras do Apóstolo João, de sua primeira epistola, no capítulo 3 versículos 11 ao 12 são muito necessárias para entendermos melhor a atitude comportamental de Caim:

“Porque a mensagem que ouviste desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros, não como Caim, que era do Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas”.

O que Jesus disse sobre nossas ofertas?

“Portanto, quando apresentares tua oferta no altar, se ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa diante do altar a oferta e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; depois vem apresentar a oferta”. (Mateus 5.23-24).

Voltando para o capítulo 4 do livro do Gênesis, fica claro no contexto bíblico que Caim teve a oportunidade de se arrepender, de voltar atrás em sua atitude invejosa, e egocêntrica com relação ao seu irmão Abel. Deus exortou, e até encorajou Caim a tomar uma postura, e ter uma nova chance de cultuar a Deus da maneira certa e obediente conforme a vontade do criador.

O que Paulo disse sobre o culto?

“Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. (Romanos 12.1)

Paulo, o Apóstolo dos Gentios, exorta a igreja romana a ter uma postura firme com relação a Deus e a adoração litúrgica. O culto racional é o culto inteligente, prudente, e pautado pelos princípios bíblicos da palavra do eterno Deus. Outra coisa, culto não é só emoção, é razão e reflexão também. O versículo 2 do capítulo 12 de Romanos, fala uma coisa interessante:

“E não vos amoldeis, ao esquema desse mundo”. (Romanos 12.2).

Atualmente, muitos cristãos se amoldam ao sistema reinante no mundo, que é: Rebelde, profano, pecador, e que inverte totalmente o ideal de Deus para o ser humano. O cristão que quer ser um adorador verdadeiro, precisa ter sua mente renovada pela palavra de Deus, e rejeitar as oferendas do maligno.

Considerações finais

Eu poderia dizer mais sobre esse tema tão maravilhoso. Um dos assuntos que eu mais aprecio na teologia cristã, é a liturgia. Se olharmos para a própria bíblia, e para o contexto da igreja primitiva, os cristãos antigos seguiam uma ideia de culto muito forte, que remetia a grandes resultados na vida devocional. Nos escritos pós-apostólicos, a liturgia, culto, e adoração continuaram firmes. E com o desenrolar da história do cristianismo, da igreja, e da liturgia vemos homens e mulheres comprometidos com o Reino de Deus, e com Cristo.

Uma coisa preocupante, é que na história do antigo Israel, bem como na Igreja Primitiva existiram pessoas como Caim. E hoje? Bom, atualmente a situação é mesma. Muitos crentes vão a igreja com todo tipo de sentimento, com ódio no coração, com questões familiares para resolverem, julgando o pregador que vai expor o sermão, e pior, com uma atitude de revolta e rebeldia contra a liderança pastoral da igreja. Uma outra característica dos nossos cultos contemporâneos é justamente o egocentrismo, orgulho, e a inveja, na vida daqueles que deveriam ser exemplo para o Corpo de Cristo.

Atualmente, muitos a semelhança de Caim, querem ser os melhores em tudo, querem se destacar, e estarem nos mais primeiros lugares das fileiras do ministério cristão. Não é isso que a palavra de Deus ensina, muito pelo contrário. A posição que mais se coaduna com o Novo Testamento, é o servir. Todo obreiro, pastor, pregador, teólogo, ou quem quer que seja precisa entender que o dever cristão está relacionado a obediência do serviço, e cabe a cada um de nós não sermos invejosos, orgulhosos, e revoltados como Caim.

Fontes: Bíblia Sagrada Almeida Século 21. 2 Edição Revisada e Atualizada Conforme o Novo Acordo Ortográfico. Edições Vida Nova.

Bíblia Shedd – Antigo e Novo Testamento, Traduzida Por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Segunda Edição. Edições Vida Nova.