Resenha do Livro: Arminianismo – A Mecânica da Salvação, de Silas Daniel

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Por Carlos Roberto

Essa obra literária, chegou em um momento muito pertinente. O autor, é o pastor Silas Daniel, que é conferencista e jornalista, e há tempos, vem escrevendo sobre a teologia arminiana. O grande destaque, desse novo lançamento, é sua abrangência, conteúdo e notas.

Historicamente, o arminianismo no Brasil vem crescendo a cada dia.  Lembro-me, quando a editora Reflexão, traduziu e lançou o livro: Teologia Arminiana – Mitos e Realidades, de Roger Olson. Foi um sucesso! Pois, muitos irmãos, até mesmo calvinistas e reformados, puderam ler e chegar à conclusão de que nossa crença tem fundamento.

Outro fato marcante na teologia evangélica brasileira, foi a tradução das Obras de Armínio para o português em 2015 pela CPAD. Com isso, o amadurecimento do pensamento soteriológico caminhou a passos largos. Agora, em 2017, somos presenteados com um novo livro sobre o arminianismo.

Outras editoras, como a Reflexão, tem um papel fundamental na divulgação do arminianismo clássico e wesleyano no Brasil, bem como teólogos e escritores, que são versados no tema. A obra, de Silas Daniel, veio somar juntamente com as outras.

Como afirmado acima, o grande destaque da obra, é sua abrangência, pois o autor, divide-a em três partes: História, teologia e exegese.

Antes, de falar, resumidamente sobre isso, abordo minha opinião sobre a introdução. “Ninguém é salvo por entender a mecânica da Salvação, mas por aceitar, pela graça de Deus, a mensagem e o método da Salvação”. Silas Daniel, enfatiza isso com maestria na parte das noções (prolegômenos), do que ele irá tratar no livro.

Muita gente, faz confusão com isso, e até misturam ou confundem os termos. Um crente, simples, não precisa saber o que é arminianismo para ser um eleito, mas o mesmo precisa conhecer a graça de Deus, que faz parte dos ensinamentos básicos do método da salvação. Portanto, essa verdade, abordada, elucida e esclarece o foco principal dessa obra literária.

A parte relacionada a história do arminianismo, começa nos Pais da Igreja Pré-Agostinianos, e vai até Wesley e o legado da teologia arminiana para a formação cultural e política do Ocidente. Daniel, me impressiona, com extensas fontes e notas, do que a tradição teológica antes de Agostinho pensava sobre livre-arbítrio, expiação, graça resistível e eleição.

Destaco também, ainda nessa parte histórica, a diferenciação, que o autor faz do Lutero jovem e do Lutero velho. As comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante estão logo aí, e é de suma importância saber, que o grande reformador, não ficou preso no passado, mas mudou de ideia com relação a Mecânica da Salvação.  A partir de seus últimos escritos, como o próprio Silas Daniel diz, podemos afirmar que Lutero: Cria em uma expiação Ilimitada; que um crente genuíno pode cair da graça; e na crença da depravação total, mas vendo, ao final o livre-arbítrio, mas como Agostinho o via do que como Calvino o via.

Na segunda parte, que trata as questões doutrinárias da teologia arminiana, destaco a sabedoria do autor ao expor teologicamente falando, a luz do próprio contexto da palavra de Deus, as seis correntes entre os proponentes do pecado original. Ao falar sobre a presciência divina, Daniel prova a luz da cosmologia moderna uma indicação de uma não predeterminação. O grande foco, é provar que Deus, não predetermina tudo. O autor, poderia somente falar sobre os 5 pontos do arminianismo, mas ele vai além e quando explica a depravação total, elucida como a imagem de Deus foi danificada em nós por causa do pecado. Ainda sobre isso, Daniel, cita as opiniões de Armínio e de Wesley sobre os efeitos da queda. Gostei muito dessas referências. O livre-arbítrio, para as coisas de Deus e para a salvação, no homem é defeituoso, e muitos crentes não sabem disso, mas o autor traz a lume uma explicação breve.

Quando Daniel, fala sobre a segurança em Cristo, responde se é possível um apóstata voltar à fé e ser salvo. Ele diz que depende, e dá entender biblicamente o motivo, pois não existe somente um caso. A apostasia comum e a do coração endurecido são elucidadas. O autor, fez muito bem abordar isso no livro.

Para encerrar essa parte teológica, parabenizo o autor, por seu equilíbrio e moderação. Não o vejo tratando os calvinistas como hereges. Quando Daniel, mostra as tendências de uma má compreensão da mecânica da salvação e responde a objeções comuns, diz que o liberalismo teológico não é uma peculiaridade ou muito menos uma tendência específica entre arminianos, calvinistas e luteranos.

Na terceira e última parte, que expõe a exegese e os textos bíblicos para uma abordagem da teologia arminiana, Daniel cita dois textos do Antigo Testamento e 9 do Novo Testamento. Há quem diga, que o final poderia ser mais amplo, ou seja, o autor deveria mostrar mais textos da bíblia para uma comprovação da teologia arminiana clássica.

Discordo, pois especificamente, o livro tem um objetivo forte e claro, que é apresentar uma exposição da graça de Deus e da responsabilidade humana no contexto bíblico e isso foi feito muito bem.

Bastante clara, é a evidência do contexto mediato e imediato do capítulo 9 de Romanos. Outra coisa que gostei, foi a explicação de Provérbios 16.4.

Para encerrar, recomendo a todos os meus leitores que se puderem, dentro das suas respectivas limitações, que adquiram essa obra, que traz uma gama de informações sobre o arminianismo, uma teologia antiga, dentro do contexto da história da igreja, e majoritariamente destacável desde os tempos da patrística pré-agostiniana, e teologicamente falando, essa vertente expõe um Deus, que é soberano mas que de maneira nenhuma determina tudo que acontece, e que a própria bíblia dá uma forte referência a isso.

Fontes: Arminianismo – A mecânica da Salvação: Uma exposição histórica, doutrinária, e exegética sobre a graça de Deus e a responsabilidade humana. Silas Daniel, 1 edição, CPAD, Rio de Janeiro, 2017.

Aos interessados, deixo o link do site da CPAD, para a aquisição da obra.

 

 

 

 

Daniela Araújo: um tema propício para nossa reflexão

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Por Carlos Roberto

Esse é o assunto do momento! Não quero aqui, me delongar na história. Mas a famosa cantora gospel, que teve um recente áudio vazado, expondo sua dependência nas drogas, remete-nos a pensar, como tratamos as pessoas que passam por problemas e conflitos.

Ora, para ser bem sincero, eu não conheço muito bem a tal e suas músicas. Ela, tem contrato com uma das maiores gravadores do país, mas essa, não é questão a ser considerada aqui.

Independente, do comprometimento da cantora, com os princípios bíblicos, precisamos entender que ela precisa de uma restauração em sua vida. Tenho visto, nas redes sociais, muitos ataques a mesma, a condenando, a julgando e dizendo absurdos.

Infelizmente, tem muita gente má, no contexto evangélico atual, que pensa, que é isenta de errar um dia, de cair, apostatar da fé ou passar por semelhante situação. Fiz questão de ver, em muitos sites de notícia, muitos “crentes”, desejando coisas ruins para a Daniela Araújo.

Pergunto: que cristianismo é esse? Será que realmente amamos o próximo? Ser igreja, é amar, é perdoar, curar a ferida. Claro, a disciplina e a correção, são de suma importância para o processo de restauração, mas tem gente em nosso meio, que pensa que é juiz e dono da verdade.

Não sou nenhum hipócrita, ou conformado com o que ocorre no mundo gospel. Sei muito bem, que existem alguns astros da música cristã que são verdadeiros aproveitadores e comprometidos somente com o cachê ou com o mercado.

O que realmente eu quero frisar, é que se alguém, como no caso da Daniela, ou qualquer outra pessoa, conhecida ou não no contexto evangélico e cristão, quiser mudar e ter um comprometimento com Cristo, isso é possível através da graça de Deus e do evangelho, e nosso papel, é aconselhar, orar e apontar o erro com amor.

Enfim, o que houve com ela, pode acontecer comigo e com você. Afinal de contas, quem somos nós? Somos eternos dependentes da misericórdia de Deus e ponto final. Pense nisso!

 

A pecaminosidade humana e sua restauração a Deus

Corrente-pecado-salvação

Por Carlos Roberto

A doutrina do pecado original, é um assunto de suma importância para nós. Felizmente, o tema é de fácil entendimento e biblicamente claro e evidente no contexto da palavra de Deus. Talvez, o que pesa, são os detalhes das consequências do ato em si, na vida do ser humano e como se dá o processo de restauração através da graça. Ou seja, muitos crentes, tem dúvidas sobre esses pormenores.

Portanto, nesse artigo, irei tratar, essas duas perspectivas teológicas, a luz da bíblia e da teologia. Muitas são as passagens bíblicas que dão base para a doutrina do pecado original, mas os textos principais são Romanos 5.12-21, 1 Coríntios 15.21,22 e Efésios 2.1-3.

Mas a final de contas, o que é pecado? Qual a definição correta para compreendermos o significado dessa palavra? Bom, trago a lume algumas referências, que na minha opinião, são precisas.

Segundo o pastor Esequias Soares, a definição teológica do pecado descrito na Declaração de Fé da Assembleia de Deus é “rebelião e desobediência, incapacidade espiritual, a falta de conformidade com a vontade de Deus em estado, disposição ou conduta e a corrupção inata do homem”.

O dicionário teológico, escrito pelo pastor e teólogo pentecostal Claudionor de Andrade, caminha na mesma ideia sobre a definição da palavra pecado: transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus. Pecado significa, ainda errar o alvo estabelecido pelo Criador ao homem – viver para a glória de Deus.

Depois de definir o que pecado, abordo o quesito das consequências da pecaminosidade em si. São aqueles pormenores, que citei acima.

A depravação total

Como um ser criado à “imagem e semelhança de Deus”, o homem é um ser livre, racional, autoconsciente (imagem natural), dotado de espiritualidade e consciência e agência morais (imagem moral), e que era puro e inocente em seu estado inicial. Com a Queda, narrada em Gênesis 3, essa “imagem e semelhança” não foi destruída no ser humano, mas foi em certo sentido, danificada e, dessa forma, transmitida a todos os seus descendentes (“…à sua semelhança…”, Gn 5.3; Jó 14.4; Sl 51.5; 58.3; Jo 3.5,6 c/c Rm 8.5,8,13; At 17.26; Rm 5.12,19).

Esse entendimento, é o que a teologia chama de depravação total. Calvinistas e arminianos são parceiros nesse ponto e concordam entre si nessa questão. Vale a pena destacar, porém, que total depravação, também chamada e mais conhecida como depravação total, é o nome dado ao entendimento bíblico de que o homem, em razão do pecado, nasce em pecado e tem todas as áreas de sua vida afetada por ele. O fato desta doutrina ser chamada de depravação total faz com que muitos pensem que o homem é tão mal quanto poderia ser, e isso em razão do uso da palavra total. Mas a ideia de total é de extensão e não de intensidade, ou seja, o homem é totalmente depravado no sentido de que todo o seu ser e todas as áreas de sua vida são afetadas pelo pecado.

O teólogo holandês, Jacó Armínio, é preciso e objetivo em suas palavras, ao se referir sobre as consequências do pecado no que tange a depravação humana. “Nesse estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o que é bom não somente está ferido, aleijado, enfermo, distorcido e enfraquecido; ele também está aprisionado, destruído e perdido”.

Em seu livro, Arminianismo – A Mecânica da Salvação, o pastor Silas Daniel, explicando essas palavras de Armínio, em sua Declaração de Sentimentos, diz o seguinte: Armínio fala que o livre-arbítrio está “destruído” apenas “para o que é bom”, ele se refere ao livre arbítrio para as coisas de Deus, para uma vida de santidade. “Bom” aqui não significa qualquer ato correto, mas tudo que diz respeito às coisas espirituais.

Enfim, a imagem de Deus no ser humano foi totalmente danificada. Qualquer pessoa, sem a graça de Deus, tem sua racionalidade, entendimento, moralidade, seu ser espiritual, suas emoções, e sua capacidade de relacionar-se com Deus enfraquecidos e prejudicados. É aí que entra, a graça e o amor de Deus, pois somente esses fatores, podem restaurar a pecaminosidade do ser humano.

A restauração através da graça

Keith D. Stanglin e Thomas H. McCall, no livro Jacó Armínio – Teólogo da Graça, citando as Obras de Armínio, trazem uma explicação muito pertinente sobre a questão do arbítrio humano e a graça divina: “A livre escolha “ humana não é um fator decisivo; ao invés disso, na condição caída, a graça de Deus é “absolutamente necessária” para a pessoa desejar o bem. Armínio descreve a graça em termos gerais como a disposição de Deus de “comunicar seu próprio bem e de amar as criaturas, não por mérito ou dívida, nem que isso pudesse acrescer algo a Deus mesmo; mas para que isso possa ser benéfico para aquele a quem o bem é concedido, e que é amado.

Bom, em termos simples, eu posso afirmar e dizer, que sem uma iniciativa de Deus, não podemos agir para com a salvação e para com o evangelho. A restauração da pecaminosidade humana, não é uma coisa relacionada as obras, ou ao esforço do homem. A teologia arminiana, faz o uso do termo graça preveniente, para enfatizar isso. Esse termo, vem desde a época da patrística, e é um pensamento comum na própria história do pensamento cristão. Preveniente, ou precedente, refere a uma ação que antecede a conversão.

Mais uma vez, cito Armínio e suas obras: “O livre Arbítrio, é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer bem verdadeiro e espiritual sem a graça. […] esta graça é simplesmente e absolutamente necessária para o esclarecimento da mente, a devida ordenação dos interesses e sentimentos, e a inclinação da vontade para o que é bom. É essa graça que opera na mente, nos sentimentos e na vontade; que infunde na mente bons pensamentos; inspira bons desejos às ações e faz com que a vontade coloque em ação bons pensamentos e bons desejos. Esta graça vai antes, acompanha e segue; instiga, auxilia, opera o que queremos, e coopera para que não queiramos em vão”

A graça preveniente nada mais é, portanto, do que o amor de Deus em ação; é Deus tomando a inciativa em relação ao homem caído e não apenas no sentido de propiciar a sua salvação, mas também no sentido de habilita-lo a recebe-la e atraí-lo a ela. É ela que concede, nas palavras do pastor e escritor Silas Daniel, ao ser humano a possibilidade de corresponder livremente com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. É a graça preveniente que possibilita ao homem responder positivamente ao chamando divino.

Conclusão

Por enquanto, encerro esses assuntos aqui, mas com certeza, em futuros posts, irei escrever mais sobre esses termos e definições sobre a mecânica da salvação. Meu propósito aqui, é subsidiar aos interessados, alguns aspectos ou pormenores da próxima aula de domingo, da revista das lições bíblicas, que aborda o pecado e o processo de restauração através da graça e do evangelho. Deus abençoe a todos!

Fontes:

A Razão da Nossa Fé – Assim Cremos, Assim Vivemos, Esequias soares, 1 edição, CPAD, Rio de Janeiro, 2017.

O Que é Teologia Arminiana? Wellington Mariano, editora Reflexão.

Dicionário Teológico, Claudionor Correa de Andrade, CPAD.

Armínio, Jacó, As Obras de Armínio, CPAD, volume 1 e volume 2.

Arminianismo – A Mecânica da Salvação, Silas Daniel, CPAD.

Jacó Armínio – Teólogo da Graça, Keith D. Stanglin e Thomas H. McCall, editora Reflexão.

 

 

 

Uma breve reflexão sobre a epístola paulina aos Filipenses

A letra mata-

Por Carlos Roberto

Caro leitor, quando lemos a carta de Paulo escrita aos Filipenses aprendemos muitas lições importantes. Essa epístola paulina faz parte do grupo de cartas escritas pelo Apóstolo dos Gentios na prisão, juntamente com Efésios, Colossenses e Filemom.

Diferentemente, de outros escritos, não vemos uma ênfase sistemática e teológica nessa carta, pelo contrário, esta é uma das epístolas mais pessoais de Paulo, onde vemos vários momentos de sua vida, principalmente a frequência da primeira pessoa do singular.

Paulo escreveu a um grupo seleto de amigos e companheiros do Evangelho e as marcas dominantes no escrito paulino são a alegria, a gratidão e o serviço, atitudes essas extraordinárias, quando vemos o contexto no qual Paulo estava inserido (a prisão).

Ora, segundo, a cronologia bíblica, e os estudiosos dos assuntos neotestamentários essa carta foi escrita provavelmente no ano 62 D.C, das próprias mãos do Apóstolo, e, diga-se de passagem, que muitas das cartas do Apóstolo Paulo foram escritas pelos amanuenses, ou escritores contratados.

Atualmente, vivemos um caos no testemunho cristão. Muita gente em nossas igrejas, são crentes nominais, suas vidas, são apegadas ao ódio e a murmuração. Um grande contraste, com Paulo e seus cooperadores na obra missionária.

E por falar nisso, uma das lições mais importantes, que noto nesse livro bíblico, é comprometimento de um ajudante de Paulo na causa do Evangelho, e em seu ministério missionário e apostólico.

Quando lemos Filipenses 2.25.30, vemos um homem chamado Epafrodito, um nome talvez não muito comum em nosso tempo, mas que nos remete realmente ao significado de sermos humildes no serviço cristão.

Diz o texto bíblico, que Epafrodito era cooperador na obra de Deus, companheiro de Paulo em suas lutas, e auxiliar das necessidades, características essas infelizmente não vistas, em nossa contemporaneidade cristã exclusivista, que não pensa na diaconia e nem muito menos em se dedicar realmente na obra de Deus com humildade.

Homens dispostos a fazer a obra de Deus como Epafrodito, infelizmente são poucos. Mas nós como Igreja de Cristo somos exortados a desempenhar como ele um bom Serviço Cristão.

Deus abençoe a todos! Até o próximo post.

Uma breve reflexão sobre o suicídio

Depressão-a-Doença-do-Futuro-17

Por Carlos Roberto

Caro leitor, esse tema, tem sido debatido há alguns dias por causa de posicionamentos teológicos estabelecidos e afirmados com veemência. No meu entendimento, nas redes sociais, muita gente tem focado em vias erradas, para tentar dar uma explicação saudável sobre o pós-morte, que no caso em questão é o tirar a própria vida.

Tenho chegado a uma conclusão preocupante. Os cristãos, não sabem debater e dialogar no espírito da paz e da harmonia. Briguinhas bobas e infantis tem sido o foco de muita gente no facebook, que diz entender a bíblia e a teologia.

Em muitos posts, artigos e textos, tenho presenciado que alguns irmãos estão pensando somente em seu sistema e sua interpretação. O ego, a soberba, a ofensa e o desrespeito não irão solucionar nossos problemas. Mas essa turma, que diz saber tudo, prefere bloquear ou cancelar a amizade do que refletir sobre um assunto tão sério e preocupante.

Os índices e estatísticas, de pessoas que tiram a própria vida são alarmante e aumentam a cada dia. Será que os crentes atuais, estão preparados para lidar com isso? E a igreja? Que é chamada para pregar o evangelho e tirar os perdidos do erro e da perdição?

É justamente nesse ponto que eu quero chegar. Precisamos sermos mais tolerantes, sábios, maduros e principalmente inteligentes, para compreendermos as causas do sofrimento de determinadas pessoas que estão vivendo problemas de ordem comportamental.

O aconselhamento pastoral, precisa ser visto com mais ênfase em casos assim. Pergunto: será que sabemos o tipo de suicídio que estamos lidando? Apesar do entendimento que eu tenho, da obra única e exclusiva da graça de Deus, na vida de uma pessoa, tenho dificuldade em compreender certos casos, que prefiro me calar.

Deixe eu dar um exemplo prático. Os problemas, de ordem mental e psicológico são uma dificuldade dura. A depressão e outros temores, medos, angustias e incertezas humanas, são a causa de um provável suicídio. Quem sou eu, para dar um julgamento duvidoso? Prefiro o silêncio e reconhecimento de minhas próprias limitações humanas, do que dar um parecer e debater a questão com gente que pensa somente com a cabeça fechada, com o espírito da contenda e dentro da caixa.

O irmão Alcino Júnior, em seu blog, foi certeiro ao tratar a questão:

“E se ao invés de tantos ataques ideológicos, nos preocupássemos mais em discutir qual seria a melhor forma de ajudar as pessoas que estão passando por quadros de depressão? Creio que a alta qualificação dos envolvidos na disputa seria de grande valia para o Reino se fosse usada para agregar à igreja ao invés de apenas afagar seus próprios egos. ”.

Enfim, eu poderia falar mais, e aliás eu nem ia me pronunciar sobre isso no blog, mas a necessidade e a demanda falaram mais alto. A discussão e o debate sobre o suicídio, vão muito mais além do que calvinismo ou arminianismo e nós, precisamos entender isso. Temos que nos unirmos, da melhor forma possível e tentar tratar os inúmeros casos, de crentes em Cristo que conhecemos que estão passando por lutas interiores.

Encerro por aqui, mas deixo o link, do texto do irmão Alcino. Leia e reflita!

 

 

O perigo nos debates entre calvinistas e arminianos

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Por Carlos Roberto

Caros leitores, a mecânica da salvação, é um tema debatido há séculos dentro do contexto protestante e cristão. Em um post anterior, falamos aqui no blog sobre a unidade cristã na perspectiva teológica de Jacó Armínio.

Agora, pretendo deixar um alerta sobre os riscos desse debate, quando a ignorância, a falta de respeito, a militância e o ego exaltado são normas que precisam serem seguidas à risca para uma melhor identificação, segundo os adeptos desses conceitos errôneos e desprovidos de uma coerência bíblica e sadia.

Calvinistas e arminianos, podem ser bons amigos, mesmo discordando e debatendo teologia, mas essa simples explicação, não é seguida à risca por muitos deles. No meu feed de notícias, presencio muitas vezes, arminianos xingando, desrespeitando e até ameaçando calvinistas em longos debates. Claro, existem calvinistas que são intolerantes também. Aliás, esse texto serve para ambos.

O ponto onde exatamente eu quero chegar, é justamente o da maturidade cristã. No meu modo de pensar, a imaturidade está muito presente na vida desses irmãos. Ora, todos sabem que sou um arminiano clássico, mas isso, não me dá o direito ou a prerrogativa de ser inimigo dos calvinistas e reformados.

Até mesmo entre defensores de um mesmo posicionamento teológico, existem os intolerantes, imaturos e zombadores. Se um arminiano, se posiciona ou se identifica como de 4 pontos, é taxado por seus companheiros de liberal ou herético, e tem também os calvinistas que adoram dizer que Armínio foi pelagiano ou semi-pelagiano, se um outro calvinista mais moderado, que leu as obras de Armínio e conhece bem os conceitos básicos da teologia arminiana discorda, é taxado de bobo, ou em cima do muro.

O grande perigo, nos debates teológicos, e principalmente entre calvinistas e arminianos, é falta de amor ao próximo. Discordar, faz parte da teologia e isso está longe de terminar, mas é preciso equilíbrio, koinonia, paciência, amor e maturidade.

Por causa dessas coisas, criei tempos atrás a página Armínio Hoje no facebook, para tentar compartilhar aquilo que sei para outras pessoas e provar, que esse sentimento popular do arminianismo contemporâneo e anti-calvinista, é perigoso e doentio. A teologia arminiana, não é somente defesa e ataque, muito pelo contrário, sua gênese e prioridade é o amor de Deus revelado na pessoa de Cristo e a atuação da graça de Deus, que restaura o arbítrio humano danificado pela queda.

Uma outra página, parceira e que segue a teologia de Armínio com responsabilidade e moderação, é a página Arminianismo Sem Zueira.

Enfim, todo cristão, que estuda teologia, precisa praticar a mesma, e não pensar que é melhor do que os outros somente por causa de sua forma de interpretar a bíblia ou assuntos pertinentes ou relacionados a ela. No passado, muita gente sofreu com isso, e hoje não é diferente, mas eu e você, somos exortados a mudar isso, através de atitudes honestas, maduras e respeitosas com nossos irmãos de fé, mesmo eles sendo de outras confissões ou posicionamentos teológicos.

Deus abençoe a todos! Em um momento oportuno, retorno novamente com esse assunto no blog. Compartilhe esse post com seu amigo calvinista ou arminiano.

Armínio e a unidade cristã

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Por Carlos Roberto

Historicamente, Jacó Armínio foi muito perseguido por seus opositores. Ele foi acusado de muitas heresias e também lhe foi atribuída muitas inverdades. O que me impressiona realmente, é seu lado pratico de sua teologia.

Armínio, prezava pelo amor ao próximo e pela união dos cristãos, apesar das diferenças. Segundo Dave Hunt, “Armínio foi um cristão consistente em seus escritos, e gentil e atencioso em seu tratamento com os outros”. [1]

Uma prova disso, vemos em sua Declaração de Sentimentos. Apesar de discordar de Gomaro e seu supralapsarianismo, Armínio soube debater a questão da predestinação sem atacar.

Jacó Armínio, é um exemplo a ser seguido por todo teólogo atual, e principalmente, os arminianos. Uma grande verdade, que eu tenho notado, é que alguns, ditos arminianos clássicos, estão longe dessa perspectiva de unidade cristã de Armínio, simplesmente pelo fato da ignorância nos debates sobre a doutrina da predestinação.

Discordar, faz parte dos assuntos teológicos, mas precisamos praticar verdadeiramente nossa teologia, assim como Armínio fez. Finalizo esse breve texto, com um trecho, tirado das Obras de Armínio. Os arminianos atuais, bem como os calvinistas, precisam refletir sobre isso:

“Que Deus permita que concordemos plenamente nas coisas que são necessárias à sua glória, e para a salvação da igreja, e que, em outras coisas, se não puder existir harmonia de opiniões, pelo menos haja harmonia de sentimentos e possamos ‘guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz’”. [2].

Fontes:

[1] HUNT, DAVE. Que amor é esse? / Dave Hunt; [Tradução Cloves Rocha dos Santos e Wilson Sales da Silva]. 1. Edição – São Paulo: Editora Reflexão 2015. Página: 127

[2] ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio. (Volume 3). [Trad. Degmar Ribas]. Rio de Janeiro, CPAD, 2015, p.276).